Thursday, August 18, 2005

Vinganca eh um prato que se serve frio?
Entao eh sashimi ou caviar.


The Devil Inside.
Originally uploaded by Andreas Toscano.
Com toda a humildade e certeza, posso dizer tres coisas a respeito da minha conduta profissional: sou responsavel, nao crio confusao e respeito hierarquia. Isso, contudo, nao evita possiveis desentendimentos com membros de uma equipe. Afinal, uma opiniao vai prevalecer no final da historia e meu (ou seu) trabalho pode sofrer com ela.

Depois dessa introducao careta, vamos aa diversao. Estamos trabalhando ha mais de um mes numa campanha de reposicionamento de imagem para o nosso maior cliente. Um trabalho que parecia simples, se tornou cascudo e virou algo administravel. Eh onde estamos agora: administrando as espectativas do cliente e adaptando melhor o briefing.

Desculpe pelo segundo paragrafo careta, mas ele se fez necessario tambem. A questao eh que tem rolado uma rixa entre a equipe local e a equipe gringa. Isso quer dizer basicamente duas coisas: que a batata ta assando para o lado deles e que eles acham que vao virar o jogo com o Poder que eles tem.

O que aconteceu (putz, tres paragrafos e nada de engracado) eh que eu e meu dupla trabalhamos no final de semana para apresentar boas ideias na segunda-feira. Pergunte se a dupla Ucraniana trabalhou? Fiquei puto, mas fiz um trabalho que me agradava muito. Coerente com o briefing, claro. Isso explica a responsabilidade que eu mencionei.

Segunda-feira de manha, os Ucranianos criaram um conceitinho bobo e todos apresentaram suas ideias. Minhas ideias foram elogiadas por todos, mas o Diretor de Criacao (Ucraniano) disse que elas ficariam melhores para uma segunda fase e que nao deveriamos leva-la ao cliente. Ok, fine. Lembra que eu disse que eu nao criava confusao?

Dai, o Diretor de Criacao, que tinha criado um conceito imbecil, me pede para executar a ideia dele. Nunca no Brasil um diretor de criacao criaria uma ideia e sairia fora. Pelo contrario, ele gostaria de executar o trabalho do jeito que ele o imaginou. Diferencas aa parte, fiz o que ele pediu. Eu disse que respeito hierarquia, certo?

Claro que essas minhas tres caracteristicas foram otimas para o andar da carruagem, mas nao evitaram que eu me vingasse. Que eu virasse o jogo e assistisse de camarote o tombo que eu sabia que eles iam tomar. Porque os clientes aqui nao tem muita experiencia, mas tem ideia do que acontece no resto do mundo. Jah os criativos daqui acham que ser criativo eh ser malucao: eh criar cartoes de visita, festas, presentes e roupas muito loucas. Nas palavras do meu Diretor de Criacao: “Esquece o briefing, vamos fazer algo criativo”.

Hora da vinganca.

Eles criaram dois conceitos para a campanha: uma pomba branca e pontes. Como o cliente eh uma operadora de celular, acharam que a pomba era um simbolo moderno de transmissao de emocoes. E que a ponte era um otimo simbolo de ligacao entre pessoas. Seria razoavel se nossa campanha fosse para falar de telefonia em geral e nao sobre atributos racionais (fatos tangiveis) que inspiram confianca na nossa marca.

Me perguntaram o que eu achava dos conceitos e eu disse que eram otimos (mentira descarada). Ainda perguntei como eles fariam para unir a pomba ou a ponte ao respeito pelo dinheiro do cliente (uma das caracteristicas do cliente) e recebi a resposta de sempre: “Esse conceito eh simbolico, ele eh maior do que essas coisas”. Legal, entao leva pro cliente.

Por outro lado, peguei o conceito que me tinha sido passado e mudei ele todo. Transformei uma campanha sem peh nem cabeca num ser humano capaz de andar e pensar. Agora, vamos aa apresentacao.

Chegamos ao cliente (tenso porque ainda nao temos as 3 campanhas necessarias para os testes) e comecamos. Para comecar, apresentei uma campanha minha que jah esta selecionada para testes. Disse que era apenas uma referencia para debatermos as outras campanhas. Depois disso, me calei e deixei as duas apresentacoes seguintes rolarem em Russo. Nao abri a boca, para ficar claro que eu nao tinha ideia de como aquilo tinha sido aprovado. O cliente ficou mais de uma hora (!) falando porque a pomba e a ponte nao funcionavam. Depois, desistiu e disse: “Vamos aa proxima campanha, por favor.”

A mulher do atendimento tentou puxar a sardinha para o lado dela. Fez a introducao em Russo (estava em ingles no PowerPoint) e pediu para o Diretor de Criacao dizer umas palavras. Os dois soh falaram m***a. Eu finjo que nao entendo, mas sei tudo que eles estao falando. Entao, foi minha vez: “Olha nao sei o que foi dito ateh agora, por isso quero falar sobre a campanha antes de apresenta-la”. Expliquei como eu tinha pensado na campanha, em como adaptar o briefing e o diabo a quatro. Depois, li os roteiros e esperei a resposta. Parecia que eu tinha tirado uma tonelada das costas do cliente. Ele virou para o Diretor de Criacao, para o atendimento, para a dupla daqui e disse: “E voces tentaram me convencer durante uma hora de que nao eh possivel fazer essa campanha sem simbolos?”. Depois, virou-se para mim e disse: “Thank you, Andreas”.

Por dentro, eu estava rindo ha horas. Sabia que o plano ia dar certo no final. Os caras foram embora correndo enquanto eu explicava os possiveis desdobramentos ao cliente.

Jah na rua, o Diretor de Criacao (puto ao quadrado) tentou colocar a culpa na mulher do atendimento. Disse que a minha apresentacao nao deveria ter sido no final, que bla bla bla. Eu ria por dentro e fingia a mais cinica tristeza pela morte da pomba branca.

Hoje o cara de Praga voltou e eu volto a poder colocar meus trabalhos na fila de apresentacao. Vai ser bom.

Mas nao vai ser melhor do que essa minha doce vinganca.


Bjs.

4 comments:

Visitante said...

Só uma correção, vc esqueçeu o Kibe Cru, e o Steak Tartare !!!

hehehehehehehehehehehehehehe

Não entendi a sua campanha, explica ai !!!!!

Abrass,

Dudu

Fred Neumann said...

Deas,

Eu tava fazendo um trabalho para a empresa hoje, polêmico, e vou tirar 2 definições que ilustram um pouco a sua história:

“Poder:É a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade , por causa de sua posição ou força , mesmo que a pessoa preferisse não fazer”

“Autoridade:A habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal .“

Eu sei que no final prevalecerá sua autoridade.

abração,

Fredão

Anonymous said...

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